Fundação Luso apresenta exposição “Luso: água puríssima – Charles Lepierre”

A Fundação Luso inaugurou no passado dia 22 de Junho, a exposição “Luso: água puríssima – Charles Lepierre”, numa iniciativa que dá a conhecer a obra e vida do químico que, em 1903, realizou a primeira análise bacteriológica à Água Termal de Luso, classificando-a de Puríssima. Esta iniciativa visa também promover a categoria das Águas engarrafadas e dinamizar culturalmente a região.
A exposição, que estará patente até 30 de Setembro (de terça a domingo, das 15h00 às 20h00), no Casino do Luso, na Vila do Luso, terá entrada gratuita.
“Luso água puríssima – Charles Lepierre” é mais uma iniciativa da Fundação Luso. A exposição centra-se na vida de Charles Lepierre, que foi um precursor em Portugal na área da investigação científica e que contribuiu para o desenvolvimento da aplicação química aos recursos naturais, medicina e indústria.
No âmbito do seu trabalho, Charles Lepierre analisou a composição da água minero-medicinal de Luso, dando-lhe o seu cunho científico pela primeira vez, tendo-a classificado como puríssima, e de “sabor leve e muito agradável”.
Esta qualidade, que hoje é reconhecida a nível nacional e internacional, tem sido distinguida com vários prémios, sendo inclusivamente a única marca de águas do Mundo a ser detentora da licença para uso da Marca Produto Certificado.
“Esta iniciativa da Fundação Luso pretende ser também uma homenagem àquele que foi o ‘promotor’ da Água de Luso, a nível nacional e também internacional, ao classificar esta água como puríssima e fazendo dela uma marca ícone nacional”, sublinhou Nuno Pinto Magalhães, administrador da Fundação Luso.
Notável químico francês, produziu a quase totalidade da sua atividade científica e profissional ao serviço de Portugal. Diplomou-se em engenharia química pela École de Physique et Chimie Industrielles de Paris, em 1887, e nesse ano, foi convidado pelo governo português para leccionar no antigo Instituto Industrial e Comercial e na Escola Politécnica de Lisboa, cargo que ocupou a partir de Junho de 1888. Em meados de 1889, foi nomeado professor de química da Escola Industrial de Coimbra (Escola Avelar Brotero) e, em 1891, preparador e chefe de trabalhos do recém-criado Gabinete (depois Laboratório) de Microbiologia da Universidade de Coimbra. A partir de 1905, acumulou ainda funções de Diretor dos Serviços Municipalizados desta cidade. Em 1911, regressou a Lisboa para integrar o corpo docente do novo Instituto Superior Técnico (IST), função que desempenhou até à sua reforma em 1937. Foi ainda Diretor do Instituto se Hidrologia e do Laboratório do Instituto das Conservas de Peixe.
A sua obra foi vasta e diversificada, interessando-se pela aplicação da química aos recursos naturais, medicina e indústria. Publicou mais de cem títulos sobre saúde pública, química médica e biológica, microbiologia e hidrologia médica. Neste último domínio destaca-se o seu trabalho laboratorial de maior fôlego: a análise das águas mineromedicinais portuguesas. Ocupou ainda vários cargos institucionais ao serviço do governo português e foi um elemento ativo da comunidade francesa em Portugal.
Em sua memória, o liceu francês em Lisboa, inaugurado a 17 de Setembro de 1952, recebeu o nome de Lycée Français Charles Lepierre.